ARTIGOS PARA O PÚBLICO | RUBÉOLA E GRAVIDEZ

Dra. Rosana Richtmann
Médica Responsável do CCIH do Hospital e Maternidade Santa Joana
Médica Assistente do Centro de Imunização Santa Joana




A Rubéola é uma virose causada pelo vírus pertencente à família Togaviridae, habitualmente benigna, exceto na gestação.

A infecção pelo vírus da rubéola se caracteriza pela presença de exantema maculopapular difuso, linfoadenomegalia retroauricular, cervical e occipital, sendo doença autolimitada e com boa evolução.

Cerca de 85% dos lactentes cujas mães se infectaram com o vírus da Rubéola durante os 3 primeiros meses da gestação, irão apresentar alguma deficiência, como glaucoma congênito, surdez, malformações cardíacas ou retardo mental, ou ainda, a temida Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). As principais manifestações clinicas da síndrome da rubéola congênita são: deficiência auditiva, cardiopatia congênita, retardo do crescimento intra-uterino, catarata, glaucoma, microcefalia, e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. A infecção quando adquirida no segundo trimestre de gestação, o risco de anomalia congênita cai para 39%.

Esse risco é maior, quanto mais precocemente a gestante é infectada. Portanto é fundamental que vacinemos todas as mulheres em idade fértil, em qualquer oportunidade, desde que não tenham comprovação laboratorial de imunidade contra Rubéola. Essa triagem sorológica deverá ser feita obrigatoriamente no exame pré-nupcial ou no início do pré-natal. As oportunidades para vacinação podem ocorrer durante consultas médicas de rotina, pré-nupciais e, principalmente antes da alta hospitalar da maternidade no puerpério imediato.

Dados do CDC de Atlanta (EUA) revelam que se as mulheres suscetíveis fossem vacinadas antes da alta hospitalar, metade dos casos de SRC poderia ser evitada. Vale lembrar que a interrupção da gestação em mulheres suscetíveis e que entraram em contato com a Rubéola é permitida nos EUA.

A meta de eliminação da Rubéola tem sido adotada em diversos paises. Aqui no nosso maio, mais especificamente no Estado de São Paulo, foi implantado um programa de controle da Rubéola desde 1992, obtendo-se cobertura vacinal de 95,7%. Esta cobertura em nosso Estado é alta, porem não homogênea, o que leva a um acúmulo de pessoas susceptíveis e a dificuldade de eliminação da Síndrome da Rubéola Congênita.

Toda vez que for indicada a imunização contra Rubéola, dar preferência para o uso da vacina Tríplice Viral (SCR - Sarampo, Caxumba, Rubéola), para prevenção das outras viroses, além de ser vacina altamente recomendada no calendário vacinal do adulto. Por ser vacina de vírus vivo, deve-se evitar a gestação 1 mês após a vacinação. Daí a oportunidade de imunização no puerpério imediato, uma vez que não há nenhum risco em relação ao aleitamento materno.

Que fazer se uma mulher engravidar acidentalmente após a vacina de Rubéola?
A primeira atitude é tranqüilizá-la! Mais de mil gestantes já receberam a vacina inadvertidamente e não houve nenhum caso de malformação fetal. Portanto, apesar do risco ser teórico, o obstetra deverá realizar acompanhamento no pré-natal.

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